Oferta Complementar: Cidadania (Metodologia de Projeto) - Orientações Curriculares (5º/6º/7ºanos)

Sendo estes temas transversais à sociedade, a sua inserção no currículo requer uma abordagem transversal, tanto nas áreas disciplinares e disciplinas como em atividades e projetos, desde a educação pré-escolar ao ensino secundário, de acordo com os princípios definidos no Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 91/2013 de 10 de julho. Subjacente a esta conceção educativa, está uma visão integradora das diversas áreas do saber que atravessa toda a prática educativa e que supõe, para além de uma dinâmica curricular, também uma vivência de escola, coerente e sistemática, alargada ao contexto em que esta se insere.

A abordagem curricular da educação para a cidadania pode assumir formas diversas, consoante as dinâmicas adotadas pelas escolas no âmbito da sua autonomia, nomeadamente através do desenvolvimento de projetos e atividades da sua iniciativa, em parceria com as famílias e entidades que intervêm neste âmbito, no quadro da relação entre a escola e a comunidade. Não sendo imposta como uma disciplina obrigatória, é dada às escolas a possibilidade de decidir da sua oferta como disciplina autónoma, nos 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico. Deste modo, a educação para a cidadania pode ser desenvolvida em função das necessidades e problemas específicos da comunidade educativa, em articulação e em resposta a objetivos definidos em cada projeto educativo de agrupamento de escola ou escola não agrupada.(Direção Geral da Educação)


Dimensões da Educação para a Cidadania

Das inúmeras dimensões da educação para a cidadania que podem ser objeto de trabalho, destacam-se as dimensões para as quais já foram elaborados ou estão em elaboração documentos orientadores para as escolas, por parte da Direção Geral da Educação: Educação Rodoviária; Educação para o Desenvolvimento; Educação para a Igualdade de Género; Educação para os Direitos Humanos; Educação Financeira; Educação para a Segurança e Defesa Nacional; Promoção do Voluntariado; Educação Ambiental/Desenvolvimento Sustentável; Dimensão Europeia da Educação; Educação para a Saúde e a Sexualidade; Educação para o Empreendedorismo e Educação do Consumidor; Educação Intercultural.

Estas dimensões poderão ser trabalhadas consoantes as escolhas e oportunidades das atividades e projetos de escola em que a turma participa, bem como no próprio projeto da turma e sua metodologia.

Metodologia de Projeto de Turma

As orientações sobre a metodologia organizacional e funcional que aqui se apresentam desenvolvem-se tendo por base a organização da turma na dimensão Communio e a aprendizagem cooperativa. Neste âmbito, os projetos desenvolvidos terão que se assumir como um desafio coletivo, com uma metad clarad e um horizonte temporal, incorporando uma variedade de oportunidades de aprendizagem, tendo em conta interesses, talentos, capacidades e necessidades distintas. É importante referir que a duração e complexidade do projeto dependem da maturidade da turma e do à-vontade dos alunos e professor na metodologia de projeto.

Objetivos do Projeto:

  • Desenvolver a capacidade de dialogar e trabalhar em cooperação com os outros;
  • Contribuir para garantir a genuína participação dos alunos nas decisões que lhes dizem respeito;
  • Desenvolver atitudes e valores nas diferentes dimensões de cidadania;
  • Desenvolver a responsabilidade e criatividade;
  • Permitir a descoberta de talentos/aptidões ou a sua busca;
  • Permitir desenvolver diversas competências transversais;
  • Criar hábitos de funcionamento em projeto.

Fases do Projeto:

1- Idealização e Escolha

  • Motivação e orientações prévias;
  • Conceção nos grupos (espaço de participação e criatividade);
  • Apresentação à turma (oportunidade de expressão);
  • Escolha em Assembleia de Turma (exercício de democracia);
  • Enriquecimento pelo diretor de turma e Conselho de Guias:
  • A valorização do projeto na sua globalidade;
  • Aspetos que devem ser reforçados;

  • A valorização dos objetivos propostos e outros objetivos que se possam incluir;

  • Aspetos operacionais que merecem especial atenção;

  • Atividades que podem ser adicionadas;

  • A impregnação, no projeto, de valores de cidadania.

2- Preparação

  • Atividades;
  • Atelieres/workshops;
  • Tarefas e missões;
  • Responsabilidades;
  • Calendário;
  • Recursos;
  • Contactos;
  • Elaboração de um Painel de Projeto.

3- Realização


4- Avaliação

  • Em grupo, em Assembleia de Turma e Conselho de Guias;
  • Aspetos operacionais;
  • Aspetos educativos;
  • Pistas para o futuro (próximo projeto).

Papel do Professor/Diretor de Turma

  • Estabelecer e manter uma parceria baseada na confiança;
  • Disponibilizar orientações que garantam que o projeto é concretizável;

  • Incorporar oportunidades de aprendizagem nas atividades e projetos desenvolvidos;
  • Cuidar da motivação e oferecer apoio;
  • Alertar para aspetos operacionais e prazos;
  • Assegurar que os valores de cidadania estejam sempre presentes;
  • Cuidar do enriquecimento do projeto e das áreas temáticas que podem ser abordadas.

Conselho de Projeto

O conselho de Projeto é constituído por todos os alunos da turma e professor de Cidadania/diretor de turma.

O Conselho de Projeto tem as seguintes atribuições:

  • Planificar e organizar os projetos escolhidos em Assembleia de Turma.
  • Gerir o desenvolvimento dos projetos desde a sua preparação até à sua realização.
  • Definir quais os meios necessários para uma correta preparação das atividades da turma.
  • Prever os tempos de duração para as diferentes etapas dos projetos.
  • Distribuir as tarefas e responsabilidades pelos grupos.
  • Criar Comissões específicas conforme as necessidades dos projetos.
  • Criar as oficinas e ateliers necessários como base de apoio eficaz à preparação das atividades.
  • Criar o Painel do Projeto, onde figurem os pontos referidos nas alíneas anteriores, para conhecimento de todos os alunos. Este painel é afixado na sala da turma, quando possível.

O Conselho do Projeto deve contemplar o detalhe para que cada elemento presente na reunião fique esclarecido quanto às tarefas que a sua comissão e/ou grupo terão que realizar.

Além das tarefas necessárias, o conselho tem que definir o material e equipamentos necessários, contactos a estabelecer, prazos a cumprir, calendarizações de reuniões e atividades, etc.

Conceção do projeto no Grupo (Pistas)

Logo no início, o professor poderá confrontar-se com algumas dificuldades. Muitas vezes, os alunos estão formatados para desenvolver determinados projetos relacionados com a sua experiência. Surgem então, lentamente, as mesmas ideias, as mesmas atividades e algumas delas como reflexo daquilo que acham que o professor poderá querer e não da sua vontade genuína. Por vezes, o Projeto é visto como mais uma tarefa a realizar, como mais uma rotina proposta pelo professor. Associado a tudo isto acresce uma eventual inércia ao nível da criatividade, motivação e ambição, consequência da escassez de dinâmicas individuais para questionar, ambicionar e projetar.

Confrontados com estas dificuldades, é necessária uma reflexão prévia com os alunos. Importa que o diretor de turma seja capaz de provocar a discussão acerca da identificação do Problema e das Finalidades e Objetivos associados a uma verdadeira base de anseios e aspirações individuais e coletivas. O que realmente queremos mudar? O que genuinamente queremos fazer? O que objetivamente queremos atingir?

Nesta primeira reflexão de grupo, o professor terá que quebrar barreiras, abrir horizontes e provocar continuamente os alunos para a criatividade e imaginação. É necessário dar pistas sobre o que se pode realizar e/ou atingir. Contudo, este enriquecimento da reflexão não pode condicionar o pensamento dos alunos correndo o risco de os projetos resultarem do conjunto das sugestões apontadas.

Ultrapassadas estas barreiras é altura de explorar o espaço de criação de um projeto através da dinâmica do grupo. É nos grupos que o projeto de turma surge. Através da organização proposta e da autonomia dada a estes grupos é possível estabelecer-se uma plataforma funcional em que cada aluno possa partilhar o seu pensamento. Isto permite chegar a todos e posteriormente, através do diálogo e partilha, chegar consensualmente ao projeto de turma - o projeto de todos.

Apresentação e Escolha do Projeto de Turma (Pistas)

A apresentação do projeto desenvolvido por cada grupo pode ser determinante na escolha do projeto final - o Projeto da Turma.

É importante que os alunos estejam conscientes que o seu projeto concorre com os restantes projetos desenvolvidos por todos os grupos que compõem a turma. É fundamental que os estimulemos no sentido de serem criativos e claros na apresentação das suas propostas perante os seus colegas. O uso das novas tecnologias poderá ser oportuno e motivador, mas também é importante que se estimule para o desenho, a música, o teatro, etc. Poder-se-á ser igualmente criativo e eficaz na apresentação do projeto através de um cartaz, panfletos, uma peça de teatro, etc.

A apresentação dos projetos faz-se em Assembleia de Turma. Compete à Assembleia de Turma apreciar e votar os projetos propostos por cada grupo. É um momento relevante na vida da turma sendo essencial o papel do diretor de turma. Este deve procurar clarificar as propostas apresentadas e promover um diálogo construtivo. Nesta fase, cada grupo debater-se-á pelo seu projeto e é importante que o professor estabeleça pontes de consenso. Até a disposição dos alunos, que deverá ser em círculo, é necessária sendo por vezes aconselhável desagregar os pequenos grupos no espaço de discussão. Importa fazer-se a transição dos vários projetos para o grande Projeto da turma.

Para isso, também é importante que os grupos não apresentem um projeto acabado e programado. Nesta fase, os projetos apresentados devem conter as grandes linhas do que se considera ser um projeto aliciante para ser vivido por todos.

Na escolha do projeto da turma, a solução de incluir todos os projetos dos grupos (para agradar a todos) é normalmente pobre. O consenso deve ser procurado (sobre as ideias que estão por detrás do visível).

Além de orientar e enriquecer a discussão, o diretor de turma deverá manter-se como elemento imparcial para poder resolver conflitos. Quando não se conseguir um consenso é preferível que se demore mais em todo o processo de decisão. Por vezes é determinante uma pausa para os alunos conversarem entre eles ou um Conselho de Guias extraordinário.